Cacos d'Horas

Nas lacunas da palavra ausente/ Vagas para a alma/ Semente...

Cacos d'Horas

Nas lacunas da palavra ausente/ Vagas para a alma/ Semente...
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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008

20.03.08

Em areias costeiras

categorias: Meus escritos

                 

Em areias costeiras,
dois corpos espraiados
por longas braças d’água:
amantes do vento,
que abraça o mar.

14.03.08

Pirata

categorias: Outros poemas
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

12.03.08

Recomeço

categorias: Outros poemas

Recomeço a partir de muito pouco,
nesta praia onde a areia, húmida e
sombria, erguida do sono,
se esvai por entre os meus dedos perdidos.
Recomeço a partir de uma única palavra,
de um ínfimo sinal que vi gravado nos
muros da tua cidade em ruínas.
Aí, nessa cal desaparecida,
vi, um dia, um pássaro imóvel, quase vivo,
com os olhos trespassados pelas agulhas do

tempo,
inclinar-se e cair sobre as pedras mudas,
e esse pássaro eras tu,
ferida de morte,
afastando as lágrimas em vão.

José Agostinho Baptista
Anjos Caídos